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sexta-feira, 13 de novembro de 2009




polifonias


Em silêncio, aguardavam pelo atendimento. Ela estava na segunda cadeira da esquerda pra direita, na terceira fila distraindo-se com a textura das novas caixas de postagem. Ele, no sentido oposto, entediado na quinta fileira, folheava a última revista dos Correios. De repente, ouviram a moça do guichê anunciar: Euforia, pode passar. Os dois se levantaram.

- Com licença. Me desculpe, mas acho que é a minha vez. Meu nome é Euforia.
- Sim, tudo bem. Mas meu nome também é Elforia.
- Como assim, Euforia? Também?! É impossível. Mamãe criou esse nome pra mim trocando o "u" de Eufúria. Tu tá me sacaneando porque não aguenta mais esperar na fila, né? Não achei nada engraçado. Pode sentar aí e esperar a tua vez, moço.
- Não, não. Tu não tá entendendo. Não tem nada de "u". Meu nome é com "éle". ELforia. Sabe mitologia? Elfos? Então. Minha mãe viu a imagem de um num calendário do cartório onde me registrou. Ela achou que era um sinal. Como sorria, logo Elforia.
- HAHAHAHAHAHA! HAHAHAHAHA!
- hrjwrwejrjhwkrwrw! wfdskfskfjskfksfs!
- Nossa!
- Hmmm... Que houve?
- Mas tu ri só com as consoantes? Como tu consegue?
- Ué? Como assim, guria?! Eu rio normalmente. Tu tá louca?
- Não, não tô.
- Tá, sim.
- Ri de novo. Tu ri diferente de todo mundo que eu conheço.
- Não rio, não.
- Ri, sim.
- Esse papo tá me aborrecendo. Não quer ser atendida? Pois eu quero. Com licença.
- Mas... Elforia, eu...
- Me deixa.

Euforia sentou-se novamente na segunda cadeira da terceira fila, mas agora da direita pra esquerda. Ficou observando Elforia retirar o seu pacote. Sim, era mesmo a vez dele. Ela havia se enganado. Mas isso ela tirou de letra -- inclusive as raras coincidências dos nomes e desvario das mães. O que ela não entendia é como alguém poderia gargalhar sem as vogais, sem escancarar a boca e colocar o ar pra fora. Foi quando percebeu:

- Acho que ele consegue porque ri só em minúsculas.



sábado, 13 de junho de 2009




Pra não dizer


E aí que as coisas estiveram bem, muito bem, inúmeras vezes nesse intervalo de tempo entre uma euforiagorasemespaços e outra. Ou eu quis acreditar que Sim. Não sei ao certo. Pra mim, a realidade é algo bastante complexo e (quase) insuportável –– embora eu tenha desenvolvido uma ou outra estratégia para “ir levando”. Ou melhor, a la Zeca Pagodinho, para ser levada pela vida.


Eu hesitei em escrever aqui porque eu andava feliz e, egoisticamente, não quis compartilhar isso com ninguém. Talvez, porque eu tivesse um medo infantil de, ao falar ou escrever sobre, diminuir a importância dos momentos ou o quão eles estavam significando pra mim. Assim eu havia decidido apenas vivenciá-los evitando racionalizar (demais) ou refletir-me diante do texto, (des)construindo-me enquanto sujeito – aquelas coisas, you know.


Mas a minha previsibilidade me enoja, arg! É claro que eu não consegui apenas me cercar dos fluxos dos outros. Tenho uma necessidade constante de estar sempre submergindo, querendo ir mais e mais e mais e mais pra dentro. É como se eu não agüentasse as trocas, as pressões da superfície por ser um daqueles estranhos animais abissais.


Noutro dia, o meu amigo me chamou a atenção que, sendo dessa maneira, eu estaria me tiranizando. Esse vício de buscar mais o dentro que o fora, de eterna vigilância e avaliação pra ser “moralmente melhor”. Disse também que eu vivo muito em função do meu passado, dos meus surtos e que isso me impede de ser outras coisas, de ir além. De fruir! Não que eu não frua nunca. Pelo contrário, eu até consigo, mas esteticamente – sobretudo quando eu danço (em tempo, eu acho que é uma das poucas possibilidades de se realmente fruir, de não ser nada, senão um corpo em movimento, desmitificado, como pensava Maurice Béjart).


Ah, o que eu mais quero é me tornar a minha antítese! Mas, honestamente, eu tenho muito medo disso. Tenho medo de cair numa zona de conforto, de achar que estou fruindo quando, em verdade, nunca deixei de ser sujeito; de apenas estar alheia ou negando essa condição; de me apropriar desse discurso pra lá de interessante e utilizá-lo como uma roupa de mergulho pra travestir a covardia das águas.


(373)


Eu não sei mais onde eu quero chegar com esse texto. Duvido até que consiga chegar a algum lugar. E preciso Chegar pra que, não é? Tenho certeza que alguém me provocaria com essa. Enfim. 408 palavras de uma página pra não dizer o que eu queria. Pra não dizer dizendo. Pra não falar no tempo dos nossos encontros e desencontros. Pra não dizer o que sinto falta: Pra não dizer: Desejo.



PS: a minha mãe ta aqui ao meu lado dizendo que eu não deveria “intelectualizar tanto a realidade”. Sugere que eu simplifique a vida e me atenha ao “concreto”. E, por fim, que “sedimentar” pode ser Bom – embora ele discorde (e eu ainda não saiba).


-




domingo, 17 de maio de 2009




Enquadramento



SóA idiota sóparou de me sufocarsó quando a visó no sofásó de dois lugaressó; quando sónos compreendemos só na Loposó em nossas cores. s ó s.






Em mim.

de mim
para mim:
1/3


"No tengo espejos en mi casa. Mi marido no los necesita y yo los odio. Sí hay espejos, claro, en los servicios del despacho; y normalmente me lavo las manos con la cabeza gacha. He aprendido a mirarme sin verme en los cristales de las ventanas, en los escaparates de las tiendas, en los retrovisores de los coches, en los ojos de los demás. Vivimos en una sociedad llena de reflejos: a poco que te descuidas, en cualquier esquina te asalta tu propia imagen. En estas circunstancias, yo hice lo posible por olvidarme de mí. No me las apañaba del todo mal. Tenía un buen trabajo, buenos amigos, libros que leer, películas que ver. En cuanto a mi marido, nos odiábamos tranquilamente. La vida transcurría así, fría, lenta y tenaz como un río de mercurio. Sólo a veces, en algún atardecer particularmente hermoso, se me llenaba la garganta de una congoja insoportable, del dolor de todas las palabras nunca dichas, de toda la belleza nunca compartida, de todo el deseo de amor nunca puesto en práctica. Entonces mi mente se decía: jamás, jamás, jamás. Y en cada jamás me quería morir. Pero luego esas turbaciones agudas se pasaban, de la misma manera que se pasa un ataque de tos, uno de esos ataques furiosos que te ponen al borde de la asfixia, para desaparecer instantes después sin dejar más recuerdo que una carraspera y una furtiva lágrima. Además, sé bien que incluso a los guapos les entran ganas de morirse algunas veces. (...)"


Rosa Montero.

P.S.: lembro (detalhadamente) do João Ubaldo Ribeiro lendo este trecho de "Amor ciego" num programa do People + Arts há quase uma década. nunca esqueci. eu só me sei diante dos textos rasgados em mim: quando a memória opera no meu corpo cicatrizando o tempo. ontem, por exemplo, choveu. os pontos se contorceram em fisgadas agudas alterando a sensibilidade, evidenciando a costura. então senti os choques. então: sen_______ti.





segunda-feira, 4 de maio de 2009

Em sustenido




Eu realmente tenho dois corações:
um, dobra na goela;
o outro, explode no peito.

sábado, 28 de março de 2009




Réquiem para /carrrne


Nenhuma dessas doenças dos tempos de hoje é tão destrutiva e insuportável quanto o desespero de pisar numa bosta de cachorro!


Se procurar pelo autor da frase, não encontrará registro algum. Nada. Nem poeira de caracter nem vestígio de pixels. Não adianta especular, consultar os universitários ou buscar no googleráculo. Essa frase, existindo aqui nos meus registros, é como se nunca tivesse existido. Mas ela existe, sim. Em algum rincão virtual, está no /carrrne entre 2005-2009.

Trepanação, VLFN, guerra, Flaming Lips, Gamboa, Alcione, podridão, candura, breguice, Jodorowsky, Mano Lima, Roberto Carlos, carneirinho, Carneirinho, Bethinha, Carneirão, Jesus, Beck, monstro do abajur, BEC, Lamounier, Sopranos, Sônia Rocha, Rangel, sóbrios, bêbados, bárbaros, lhamas, capivaras, Tinico, flyers, Inter, amores, império, implicâncias, grosserias... Carne, carne, carne, lã e muita carrrne.

É evidente que foi paixão à primeira interrogação. Não que lá objetivamente estivessem -- até porque o /carrrne estava cansado de se auto-referir como: "eu sou um aleatório". Contudo os posts eram irremediavelmente uma provocação, fossem pelas imagens (convencionais, imagéticas) ou pela linguagem (própria -- repleta de regionalismos, gírias, neologismos --, humor, senso crítico e qualidade literária de muita).

Há pouco mais de um ano que eu descobri que a carne era saborosa, dava barato e viciava. Mas também que comendo carne (freqüentemente) se moía vidro. Achei contraditório, incoerente e detestável. Por isso amei e virei fã -- daquelas que tinha grafado no (jurássico) papel de agenda as datas (e algumas frases soltas) dos posts que mais gostava e não desistiu até que os amigos vissem todas as maravilhas que via.

Toda essa memória e dimensão da carne tá perdida por aí no estômago de algum banco de dados -- se é que já não foi digerida. Mas sem chororô porque desapareceu da melhor forma possível, aleatoriamente -- do jeito que começou. Inesperado, rápido e rasteiro. Surpreendeu todo mundo, inclusive ele próprio. Golpe de mestre!

Vida longa à carne nova então!
(ou não!)

***

/dercy_vive. Fotolog.com. 26/03/09.





sexta-feira, 30 de janeiro de 2009




alguém prevera:
vai explodir.
_____

o vemelho ou o azul o vermelho ou o azul -- rápido -- o vermelho ou o azul o vermelho ou o azul -- droga, é agora -- o vermelho ou o azul? o vermelho...
claque.
_____

estava jantando. na mesa, uma lata de coca-cola com gelo, um pedaço de frango e alguma salada de folhas. verdes. os amigos e o murmurinho em valsa no entorno. silêncio. de repente, a pressão empurra ouvido abaixo. o negro devorando. e _____. ela percebe. a garçonete a leva para fora do bar. uma cadeira e um punhado de sal. na travessa. e _____. nada. chama aquele amigo. avisa que não estou bem e preciso ir embora de imediato. [ele nem suspeita que cortaram o vermelho.] despedem-se. ela está no táxi.
abre a porta de casa e desaba na cama. e _____. nada. o negro subindo na contramão. e ela nervosa. pensa em chamar alguém para socorrê-la. não consegue. e ela. nervosa. primeiro, as mãos não respondem; depois, a voz desvia do pensamento. desespero. e ela. _____. acha que está morrendo. (cortaram o vermelho, meu deus, o vermelho!) tenta discar e chamar ajuda. não consegue -- não há fios. o celular. ou a fenda [sináptica]. e _____. ela _____. nervos a. aperta o primeiro botão. ele atende. ela balbucia, resmunga, chora. ele entende. vai ao encontro. tenta parecer calmo. [não está.] chegam à emergência.
ela grita: cortaram o vermelho, me ajudem! cortaram o vermelho! por favor, o vermelho, o vermelho! ninguém entende. grunhidos vociferam na sala. tenta se levantar. quer ir embora. ninguém entende. cambaleia. cai na poltrona e arranca mais fios. ninguém entende. nem aquele, nem esse. o clima é de suspeita. teste. ninguém entende. regurgita. desequilibra. deitam-na. a maca é estreita. [só cabem ela e a dor.] mais fios. segura na minha mão. está frio. inspira. expira. inspira. expira. ins...

_____

ela pergunta:
e a explosão? consertaram o vermelho?
alguém responde.
finalmente, compreenderam-na. [mas está coxa e surda de um ouvido.]

_____




quinta-feira, 29 de janeiro de 2009




Contudo

(...)

Vi sempre o mundo independentemente de mim.
Por trás disso estavam as minhas sensações vivíssimas,
Mas isso era outro mundo.
Contudo a minha mágoa nunca me fez ver negro o que era cor de laranja.
Acima de tudo o mundo externo!
Eu que me agüente comigo e com os comigos de mim.

A.C.




terça-feira, 23 de dezembro de 2008




ainda

eu só fico bem quando não estou aí.
se tu não estás aqui, fico mal.

aí vou pra lá.

aqui e lá não são aí.
aqui, lá e aí poderiam ser
[se quiséssemos].

onde é que estou afinal?

q l ´inexistem
sem as tuas vogais.

_____________
_____________
_____________





segunda-feira, 15 de dezembro de 2008




no oceano,

O nível da água subia. E subia. E subiam as escamas. E a água se misturava e -- impiedosamente -- invadia a carne. Choques na espinha (de frio). E vontade. E vontade. de sacudir a cauda de peixe e escondê-la entre as pernas. E vontade. De partir. Mas as pernas dobravam na cauda. EUm caldo. Eu. for ia fog a da. fog ou. Se.




terça-feira, 2 de dezembro de 2008




- Fireball!

Foi a única palavra que conseguiu pensar enquanto ainda estavam abraçados. Sentia o calor se formando no centro, envolvendo-lhe cada fibra muscular até as extremidades do corpo, proporcionando uma sensação jamais experimentada. Não foi necessário mais que alguns minutos para reconhecer o potencial viciante daquela droga selada pelo encontro em duo. Resignou-se. Ciente da vulnerabilidade àquele princípio, passivamente, aceitou a mudança de cor. Eu____foria tingida de novo (ao menos, era o que denunciava a imagem alaranjada refletida nas gotas d’água sustentadas pelo azulejo do banheiro).





quinta-feira, 27 de novembro de 2008





but it's hard to stay mad, when there's so much beauty in the world. Sometimes I feel like I'm seeing it all at once, and it's too much, my heart fills up like a balloon that's about to burst... And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life...


últimas palavras de Lester Burnham em American Beauty (1999).





quinta-feira, 13 de novembro de 2008





passeando pelo concreto cem cintos


sim.
sim___to
sim___tonia [as]
sim___co
..m___ti [go]
sim.

sim.

[sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim. sim.]





quarta-feira, 12 de novembro de 2008




Faust I - Faust und Gretchen

Die Gretchenfrage


GRETCHEN: ... Glaubst du an Gott?

FAUST: Mein Liebchen, wer darf sagen:
Ich glaub an Gott!
Magst Priester oder Weise fragen,
Und ihre Antwort scheint nur Spott
Über den Frager zu sein.

GRETCHEN: So glaubst du nicht?

FAUST: Mißhör mich nicht, du holdes Angesicht!
Wer darf ihn nennen
Und wer bekennen:
Ich glaub' ihn.
Wer empfinden
Und sich überwinden
Zu sagen: ich glaub ihn nicht!
Der Allumfasser,
Der Allerhalter,
Faßt und erhält er nicht
Dich, mich, sich selbst?
Wölbt sich der Himmel nicht dadroben?
Liegt die Erde nicht hierunten fest?
Und steigen freundlich blickend
Ewige Sterne nicht herauf?
Schau ich nicht Aug in Auge dir,
Und drängt nicht alles
Nach Haupt und Herzen dir
Und webt in ewigem Geheimnis
Unsichtbar-sichtbar neben dir?
Erfüll davon dein Herz, so groß es ist,
Und wenn du ganz in dem Gefühle selig bist,
Nenn es dann, wie du willst:
Nenns Glück! Herz! Liebe! Gott!
Ich habe keinen Namen
Dafür! Gefühl ist alles;
Name ist Schall und Rauch,
Umnebelnd Himmelsglut.

GRETCHEN: Das ist alles recht schön und gut;
Ungefähr sagt das der Pfarrer auch,
Nur mit ein bißchen andern Worten.

FAUST: Es sagens allerorten
Alle Herzen unter dem himmlischen Tage,
Jedes in seiner Sprache:
Warum nicht ich in der meinen?


- aus Faust I, Zeilen 3426-3465








"Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?"

"Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?"

"Muita coisa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras coisas
De memórias e de saudades
E de coisas que nunca foram".

"Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti".

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)





terça-feira, 11 de novembro de 2008

não é estranho um peixe morrer de sede?

for___a água transborda e inunda os cômodos,
cospe nas paredes,
lambe os espelhos.
e, aqui dentro, sede.
desertificando.
doendo os filtros.





PS: quem sofre dos nervos como eu -- e depende dos sais para não ficar rodopiando sem sair do lugar agarrada nas pás do ventilador de teto -- precisa beber água. muita água. água. água. água. ou amargar dores renais (e, vez em quando, hepáticas) terríveis.



i got soul, but i'm not a soldier. diz:
acho que por culpa tua voltei a ter vontade de escrever
i got soul, but i'm not a soldier. diz:
tua e da natália






segunda-feira, 10 de novembro de 2008




7. e quando cansamos de tudo. Quando cansamos de tudo foi que conseguimos que os pássaros voassem. À noite anterior encontramos a fórmula do vôo, e era banal, e cada um ensinou ao outro que a altura não é altura, que um homem que prende pássaros não sabe vê-los: soltamos as aves de verdade, prendemos as de arame. Abríamos cada gaiola, abrindo, no mesmo abrir, a porta de nossas casas. Pássaros foram saindo, fazendo o bonito barulho das penas. A alguns, necessário era a ajuda de nossas mãos para que acreditassem que estavam mesmo livres. Muitos pássaros haviam morrido e, mesmo aqueles que estavam secos, pareciam, pois, mais livres que nós. Vontade de morrer, aquela vontade nova que começávamos a sentir. Como nuvem carregada, eles foram enchendo o pavilhão. "Se chover pássaro, eu quero tomar banho pra me sentir livre", alguém teria falado, ou todos nós, ao mesmo tempo (...)".

A.M.










u
n
i
ver
soul

travelling

on each____other.