segunda-feira, 12 de abril de 2010





laminados



I - Imagino a barra da saia da tua mãe com uns 3m de diâmetro para abrigar toda a tua covardia.

II - O mínimo que tu poderias fazer é inventar um novo repertório de flerte, afinal é um desrespeito ao que a gente viveu.

III - Semanalmente, perguntar: "e aí? tá casada?" é muita pobreza de espírito. Até porque quem casou foi tu.

IV - O que tu precisavas eram justamente aquelas "declarações de amor 6ª série" -- e isso eu jamais poderia te dar.

V - Ich weiß, dass es Sie am Telefon war!

VI - Será que aprendeu a gostar de sertanejo universitário?

VII - Não. Tu és a minha alucinação por lítio.

VIII - Why are you doing this to me? I'm sick of it. Oh please, just come down here and we'll sort things out.




sábado, 14 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009




polifonias


Em silêncio, aguardavam pelo atendimento. Ela estava na segunda cadeira da esquerda pra direita, na terceira fila distraindo-se com a textura das novas caixas de postagem. Ele, no sentido oposto, entediado na quinta fileira, folheava a última revista dos Correios. De repente, ouviram a moça do guichê anunciar: Euforia, pode passar. Os dois se levantaram.

- Com licença. Me desculpe, mas acho que é a minha vez. Meu nome é Euforia.
- Sim, tudo bem. Mas meu nome também é Elforia.
- Como assim, Euforia? Também?! É impossível. Mamãe criou esse nome pra mim trocando o "u" de Eufúria. Tu tá me sacaneando porque não aguenta mais esperar na fila, né? Não achei nada engraçado. Pode sentar aí e esperar a tua vez, moço.
- Não, não. Tu não tá entendendo. Não tem nada de "u". Meu nome é com "éle". ELforia. Sabe mitologia? Elfos? Então. Minha mãe viu a imagem de um num calendário do cartório onde me registrou. Ela achou que era um sinal. Como sorria, logo Elforia.
- HAHAHAHAHAHA! HAHAHAHAHA!
- hrjwrwejrjhwkrwrw! wfdskfskfjskfksfs!
- Nossa!
- Hmmm... Que houve?
- Mas tu ri só com as consoantes? Como tu consegue?
- Ué? Como assim, guria?! Eu rio normalmente. Tu tá louca?
- Não, não tô.
- Tá, sim.
- Ri de novo. Tu ri diferente de todo mundo que eu conheço.
- Não rio, não.
- Ri, sim.
- Esse papo tá me aborrecendo. Não quer ser atendida? Pois eu quero. Com licença.
- Mas... Elforia, eu...
- Me deixa.

Euforia sentou-se novamente na segunda cadeira da terceira fila, mas agora da direita pra esquerda. Ficou observando Elforia retirar o seu pacote. Sim, era mesmo a vez dele. Ela havia se enganado. Mas isso ela tirou de letra -- inclusive as raras coincidências dos nomes e desvario das mães. O que ela não entendia é como alguém poderia gargalhar sem as vogais, sem escancarar a boca e colocar o ar pra fora. Foi quando percebeu:

- Acho que ele consegue porque ri só em minúsculas.



quarta-feira, 19 de agosto de 2009

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009






(ilustração: m.k.)







caro Deus,

gostaria de saber se isso é uma piada cósmica ou algo do gênero. se não for o caso, trata-se de uma alucinação ou ele realmente existe?

atenciosamente.

Tua amiga,
priscila.






segunda-feira, 27 de julho de 2009




Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas


Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio


Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação


Não posso adiar o coração.


(A.R.R.)




domingo, 26 de julho de 2009

Ele tinha sangue nos óculos quando saiu do elevador. Era marrom e por isso achei que fosse  barro ou alguma outra sujeira qualquer. Não, droga, é sangue mesmo... Seco. Tava trabalhando até agora. Empresta um pano, por favor! Será que ele sente prazer cortando as pessoas? Será que ele sente? Senta. Preciso escovar os dentes e colocar um casaco. A bolsa está morna, é melhor aquecer mais água pra inflar a borracha. Céus, nada parece aguentar a sutileza dos teus passos de elefante: Ela estourou. Tudo que é teu é assim, não é mesmo? Não se vaza, não se rasga, não se pinga: sexplode. A água quente acabou encharcando aquele tapete velho e diluindo a sujeira abrigada sob a poltrona. tu há de secar tudo em três minutos ensopando outras quatro toalhas – mas só após reconhecer que o problema não se resolveu por si. Tu sabe o quão detestável é isso, não sabe? Olha, olha. Olha só! Esse vapor condensado de água recém fervida dá vontade de respirar mais fundo... Posso ver o ar improvisando uma bela coreografia pras fossas. Ah, esqueça isso. Está tarde, vamos sair. Hoje, tu é minha convidada! Vamos. Estou faminto.

sábado, 25 de julho de 2009




toco, cera, cone



O que eu vejo é distorcidbo; é multiplicado;;; borrrrrado. As minhas lentes são mágicas e agora me dizem que isso não tem nada de fantástico: é uma doença. UMA DOENÇA. Por que insistem em calcular o meu desvio? Por que não consigo com que vejam alguma nobreza nas minhas imperfeições? a singularidade está toda ali, não está? no meu sino dobrado, nas minhas cicatrizes grosseiras do pulso, peito e pernas. Existe harmonia na deformidade que alcança o espelho e por isso alguns me elogiam. Eu queria gritar Não gosto, não gosto, mas o meu sorriso e gentileza diante da lisonja me traem. Porque nada é aquilo que me dizem. mas também nada é isso que pareço ser. acho que a verdade não tem foco.








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No asfalto
, as pequenas folhas amarelas seguem o curso da quadra entre um semáforo e outro da larga avenida. Ultrapassam as faixas, driblam os carros, envolvem os pedestres. Distração e tanto.




sexta-feira, 24 de julho de 2009

Página 161 do romance mais próximo:


"- Nada de ofensivas. Nada de aviones. Nada de pontes. Só neve, neve..."


E.H. Por quem os sinos dobram.

PS: os livros realmente nos escolhem. e são os melhores oráculos -- sempre.

quinta-feira, 16 de julho de 2009





odeio esse lugar.
odeio esse lugar que não é aquele nem o outro. o que é que eu estou fazendo nesse lugar? como é que eu vim parar nesse lugar? eu merecia aquele lugar. ou o outro. qualquer coisa menos esse. será que um dia tu ainda me explica porque eu vim parar nesse lugar -- e não aquele. e nem... o outro?















A FLOR

Penso que cultivo tensões
como flores
num bosque
onde ninguém vai.

Cada ferida — perfeita —,
fecha-se numa minúscula imperceptível pétala,
causando dor.

Dor é uma flor como aquela,
como esta,
como aquela,
como esta.

(R.C.)



segunda-feira, 13 de julho de 2009




derri dando se em schoolsickness

já estabelecido no meio acadêmico, derrida ainda sentia no corpo (dores no peito e no estômago) a ansiedade e o desconforto em estar naquele ambiente. mesmo assim, faca no livro que era, nunca abandonou os estudos. isso É admirável [muito]. e também um grande exemplo pra mim (que somatizo tudo e tenho verdadeira aversão àquele show de horrores intelectualizado). todo dia é um soco no pâncreas. aliás... sabe a causa mortis do derrida? câncer... NO PÂNCREAS.


mon frère jacques, honestamente:
ninguém aguenta.

PS: até quando?